segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A QUESTÃO DA TERRA

Na África, a terra é hoje não apenas uma das mais definidoras questões políticas e desenvolvimentistas, mas talvez a mais intratável. A persistente concentração fundiária baseada na segregação racial só será resolvida por uma reestruturação total do programa de reforma agrária ou por uma transformação radical nas relações de propriedade pelo próprio povo. Os rumos do continente dependem, em larga escala, da imediata e urgente resposta do governo às necessidades e demandas de 19 milhões de pobres e sem terra.
Nos últimos anos, há indícios perturbadores das intenções do governo a esse respeito: o estreitamento do programa de redistribuição de terras, carro-chefe para reverter a estrutura distorcida herdada do apartheid; a promoção de uma elite comercial rural negra, em detrimento da grande população de trabalhadores sem terra; a atitude laissez-faire face às crescentes reivindicações da sociedade civil para resolver a crise agrária no país.
A reforma agrária é essencial, não apenas em termos de uma reparação histórica aos séculos de dominação colonial, mas também para o processo de construção democrática da nação africana. Somente a reforma agrária pode modificar as relações sociais e econômicas nas áreas rurais; um ponto central na luta democrática-nacional para transformar as formações coloniais de classe, que combinam desenvolvimento capitalista com opressão social.
Rafael Branco

2 comentários:

Celso disse...

Amigos, gostei muito do que li. Parabéns pela seriedade com que fizeram o mesmo. Parabéns !!!! Nota 5,0

kesia disse...

a africa sofre com as terras tambem a fome la e muito grande .